Interchange no Brasil: Tabela Completa Visa e Mastercard 2026 e Como Interpretar
Ponto-chave
A Tarifa de Intercâmbio (TIC) representa a maior fatia da taxa cobrada dos lojistas no Brasil. Com as regras do Banco Central limitando os cartões pré-pagos e de débito a 0,70%, entender as tabelas da Visa e Mastercard tornou-se a chave para grandes varejistas reduzirem o custo do MDR negociando modelos IC++.
Toda vez que um cliente encosta o cartão na maquininha ou digita os números no checkout do seu e-commerce, uma guerra silenciosa acontece em milissegundos. O dinheiro da venda é fatiado entre vários players. A maior e mais polêmica dessas fatias tem nome: Tarifa de Intercâmbio, ou simplesmente Interchange.
Se você opera um e-commerce, um gateway ou um negócio de alto volume, preste atenção aqui. O interchange é o imposto invisível do varejo. Ele não vai para o governo, vai para os bancos emissores. É ele que financia a sala VIP no aeroporto, os pontos do cartão Black e o cashback que o seu cliente tanto ama. E quem paga essa conta é você, lojista.
Agora em 2026, operamos sob as regras consolidadas da Resolução BCB nº 264/2022. O Banco Central interveio no mercado para corrigir distorções bizarras que existiam até poucos anos atrás. Mas o mercado de crédito continua sendo uma selva de taxas variáveis. Nós mapeamos as tabelas atualizadas da Visa e da Mastercard para desvendar exatamente quanto cada transação custa na raiz.
O que é Interchange e como chegamos até aqui
Para entender a tabela, você precisa entender o fluxo do dinheiro. O arranjo de pagamentos no Brasil funciona no modelo de quatro partes: o Lojista, a Adquirente (Stone, Cielo, Rede, PagSeguro), a Bandeira (Visa, Mastercard) e o Emissor (Itaú, Nubank, Bradesco).
A Taxa de Desconto do Lojista (MDR - Merchant Discount Rate) que você paga na maquininha ou no gateway é a soma de três custos:
- O spread da Adquirente (o lucro de quem processa a venda).
- A taxa da Bandeira (Scheme Fee, o pedágio tecnológico da Visa/Mastercard).
- O Interchange (TIC - Tarifa de Intercâmbio, a remuneração do banco emissor).
O Interchange representa, em média, de 70% a 80% do custo total de uma transação. Até 2022, vivíamos um faroeste. Fintechs como Nubank, Mercado Pago e PagSeguro basearam grande parte do seu modelo de negócio inicial emitindo cartões pré-pagos. Por que? Porque o cartão pré-pago não tinha limite de interchange. Enquanto um cartão de débito de um bancão rendia 0,50% ao emissor, um cartão pré-pago de uma fintech chegava a render 1,50%.
O Banco Central encerrou essa festa. A Resolução 264 limitou o interchange de cartões de débito e pré-pagos a um teto de 0,70%. O resultado? As fintechs tiveram que diversificar suas receitas e focar no crédito. E é no crédito que a tabela da Visa e da Mastercard mostra sua verdadeira complexidade.
Tabela de Interchange Visa 2026: Dissecando os Custos
A Visa categoriza suas tarifas de intercâmbio baseada em três pilares principais: o tipo de cartão (Classic, Gold, Platinum, Infinite), o ambiente da transação (Físico/CP vs. Online/CNP) e o código da categoria do estabelecimento (MCC - Merchant Category Code).
No Brasil, as taxas de crédito da Visa operam nas seguintes faixas médias. Os números exatos variam por contrato e MCC específico, mas a estrutura base que as adquirentes usam para calcular o seu custo é esta:
Cartões de Crédito Visa (Ambiente Físico - Card Present)
- Visa Classic: ~1,15%
- Visa Gold: ~1,40%
- Visa Platinum: ~1,60%
- Visa Signature: ~1,85%
- Visa Infinite: ~2,10%
- Visa Corporativo/B2B: ~2,50% a 2,75%
Cartões de Crédito Visa (E-commerce - Card Not Present)
O risco de fraude na internet é maior. O emissor assume um risco de chargeback mais alto. Logo, o e-commerce paga a conta.
- Visa Classic (CNP): ~1,30%
- Visa Gold (CNP): ~1,55%
- Visa Platinum (CNP): ~1,75%
- Visa Signature (CNP): ~2,05%
- Visa Infinite (CNP): ~2,30%
- Visa Corporativo/B2B (CNP): ~2,80%
Aqui vemos o impacto direto no seu caixa. Se um cliente compra uma geladeira no seu site usando um Visa Classic, o custo base do emissor é 1,30%. Se o vizinho dele compra a mesma geladeira usando um Visa Infinite, o custo salta para 2,30%. É um ponto percentual inteiro de diferença que evapora da sua margem de lucro.
Tabela de Interchange Mastercard 2026: A Regra do Jogo
A Mastercard segue uma lógica muito similar à da Visa, mas com nomenclaturas e pequenos ajustes de basis points (bps) nas categorias premium. A Mastercard também é extremamente rigorosa com a classificação de MCC.
Cartões de Crédito Mastercard (Ambiente Físico - Card Present)
- Mastercard Standard: ~1,18%
- Mastercard Gold: ~1,45%
- Mastercard Platinum: ~1,65%
- Mastercard Black: ~2,15%
- Mastercard Corporate: ~2,60%
Cartões de Crédito Mastercard (E-commerce - Card Not Present)
- Mastercard Standard (CNP): ~1,35%
- Mastercard Gold (CNP): ~1,60%
- Mastercard Platinum (CNP): ~1,80%
- Mastercard Black (CNP): ~2,35%
- Mastercard Corporaté (CNP): ~2,85%
Observe o Mastercard Corporaté no e-commerce batendo 2,85%. Cartões corporativos têm o interchange mais alto do mercado. Se você vende software B2B ou material de escritório e aceita cartão de crédito, o seu custo de processamento é brutalmente superior ao de um lojista que vende roupas para o consumidor final.
O Fator MCC: Supermercados vs. Companhias Aéreas
As tabelas acima mostram as taxas padrão. Mas a Visa e a Mastercard aplicam reduções drásticas baseadas no MCC (Merchant Category Code). O mercado brasileiro entende que certos setores operam com margens líquidas minúsculas e volumes gigantescos.
Supermercados (MCC 5411) e Postos de Combustível (MCC 5542) possuem tabelas de interchange subsidiadas. Um Visa Infinite que custaria 2,10% no varejo normal, pode cair para cerca de 1,20% em um supermercado físico. Se as bandeiras cobrassem a taxa cheia, os supermercados simplesmente parariam de aceitar cartão de crédito e migrariam 100% da operação para o Pix.
Do outro lado do espectro, temos as Companhias Aéreas e o setor de Turismo. Eles operam com alto risco de chargeback e entrega futura de serviço. Suas taxas de interchange costumam ser cheias, forçando essas empresas a negociarem diretamente com as bandeiras e adquirentes arranjos específicos de liquidação.
O Problema do Parcelado sem Juros
O Brasil é o único país do mundo onde o Parcelado sem Juros (PSJ) atingiu proporções sistêmicas. Quando você vende em 10 vezes sem juros, o emissor do cartão está, na prática, concedendo um empréstimo gratuito de 10 meses para o consumidor.
Para compensar o custo de capital e o risco de inadimplência desse longo período, as tabelas de interchange preveem adicionais para transações parceladas. A cada parcela adicionada, o custo do interchange sobe alguns basis points. Uma transação em 12 vezes no Mastercard Black pode empurrar o interchange real para perto de 2,60% ou mais.
O Banco Central tentou mexer nesse vespeiro recentemente, sugerindo limites para o parcelamento sem juros. O lobby do varejo nacional reagiu com força e a pauta esfriou. Na prática, o custo desse parcelamento continua embutido no preço dos produtos e na taxa de desconto das maquininhas.
MDR Fixo vs. Pricing IC++: A Estratégia dos Grandes
Se você é um pequeno ou médio lojista (PME), você provavelmente opera com uma taxa flat (MDR fixo). A Stone ou o Mercado Pago te cobram, digamos, 2,50% no crédito à vista, independentemente do cartão que o cliente usar.
Quando o cliente usa um Visa Classic (interchange 1,30%), a adquirente ganha muito dinheiro. Quando o cliente usa um Mastercard Black (interchange 2,35%), a adquirente tem prejuízo na transação. A taxa de 2,50% é uma média (blended rate) calculada para garantir que a adquirente feche o mês no azul.
Mas se o seu negócio fatura mais de R$ 5 milhões por mês em cartões, você está perdendo dinheiro com a taxa flat. É aqui que entra o modelo IC++ (Interchange Plus Plus).
No modelo IC++, a adquirente abre a caixa preta. Ela repassa o custo exato do Interchange (IC) daquela transação específica, repassa a taxa exata da Bandeira (+), e cobra um spread fixo e transparente (+), por exemplo, 0,40%.
Nossa análise mostra que migrar do modelo flat para o IC++ gera uma economia média de 15% a 25% no custo de adquirência para grandes varejistas. Você passa a se beneficiar diretamente quando seus clientes usam cartões de categorias inferiores (Standard/Gold) ou cartões de débito.
Como Otimizar seus Custos de Pagamento em 2026
Entender a tabela de interchange não é apenas um exercício acadêmico. É inteligência financeira. Aqui estão as estratégias que vemos as operações mais eficientes do mercado aplicando hoje:
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Roteamento Inteligente (Smart Routing): Grandes e-commerces usam gateways avançados para identificar a BIN (Bank Identification Number, os primeiros 6 a 8 dígitos do cartão). A BIN revela se o cartão é um Visa Infinite ou um Standard. Se for um cartão premium com alto interchange, o gateway pode tentar processar a transação através de uma adquirente onde o lojista negóciou uma taxa flat melhor. Se for um cartão Standard, manda para a adquirente no modelo IC++.
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Incentivo aggressively ao Pix: O custo de processamento do Pix para Pessoa Jurídica varia de 0,40% a 0,99%, sem risco de chargeback e com liquidação instantânea D+0. Isso destrói qualquer tabela de interchange. Oferecer 5% de desconto no Pix é matemáticamente vantajoso quando a alternativa é pagar 2,30% de interchange mais spread de adquirente mais taxa de antecipação (já que o crédito liquida em D+30).
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Revisão de MCC: Muitas empresas operam com o MCC errado. Se você tem um modelo de negócio híbrido, garantir que sua adquirente classificou seu CNPJ no MCC com a tabela de interchange mais favorável pode salvar centenas de milhares de reais no fim do ano. Peça uma auditoria do seu MCC para o seu gerente de contas na Cielo ou na Rede.
O mercado de pagamentos no Brasil pune a ignorância. As tabelas da Visa e Mastercard são complexas por design. Elas permitem que bancos financiem programas de fidelidade agressivos usando a margem do varejo. Dominar esses números é a única forma de sentar na mesa de negociação com as adquirentes de igual para igual e proteger o caixa da sua empresa.
Perguntas Frequentes
Matheus Feijão
CEO & Fundador — ouro.capital
Especialista em fintech e criptoativos desde 2002. CEO da ouro.capital.